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As flautas de bisel tocadas pelo tamborileiro medem, na generalidade dos casos, cerca de 40 cm de comprido, mais regulares as trasmontanas, mais variáveis as alentejanas (com exemplos de 46 cm em Barrancos e 33 em Ficalho); o seu interior é uma “fura” levemente cónica, com o calibre mais largo — cerca de 1,5 cm — no bocal. Nesse topo mete-se um taco de madeira, para apertar a entrada, deixando uma fenda estreita e laminar para a passagem do ar, e talha-se o bico em bisel; no corpo situam-se os furos, em número variável conforme as regiões: no Norte e Leste trasmontanos, designadamente em Terras de Miranda, e na faixa alentejana além-Guadiana, elas tem normalmente três furos, dois na face superior e um na inferior, e sustém-se e tocam-se com uma só mão (figs. 3 e 4). Este tipo é assim o único que permite o toque simultâneo do tamboril e da flauta pela mesma pessoa — o tamborileiro característico dessas duas regiões, que só aí existe —, porque deixa a outra mão livre para a baqueta. Em Trás-os-Montes as flautas têm com muita frequência boquilha de madeira, chifre ou osso, revestindo o buraco de insuflação. Estas flautas, feitas à mão por habilidosos locais, as mais das vezes pelo próprio pastor que as toca, são geralmente de buxo ou freixo, lisas, ou não raro, com desenhos incisos, e também, segundo o estilo da região, com incrustações em estanho; a título excepcional, encontrámos em Urros uma flauta feita da tíbia de uma cegonha. No Alentejo, estas flautas são geralmente destituídas de ornatos no corpo, mas mostram quase sempre várias molduras na extremidade oposta a boca — entre as últimas das quais encaixam os dedos que aí a seguram; a flauta do tamborileiro de Barrancos, contudo, era profusamente decorada com desenhos incisos de vários géneros. O tamboril é, de um modo geral, um tambor pequeno, que, num sentido preciso, mostra bordões sobre ambas as peles, embora se toque só numa delas, como as caixas. Ele aparece nestes termos em Trás-os-Montes, na faixa fronteiriça de Rio de Onor e Terras de Miranda, e é mesmo muitas vezes uma mera caixa, à qual se aplicaram bordões nos dois lados. Tanto na área trasmontana como na alentejana, os tamboris são de fabrico local e feitos geralmente mesmo pelos próprios tocadores. No Alentejo, os tamboris de Santo Aleixo e de Vila Verde de Ficalho, do tipo que descrevemos, são de uma factura pouco cuidada, e certamente da autoria de velhos tamborileiros que antecederam os presentes e que eram tradicionalmente pastores ou cabreiros; de resto, em Santo Aleixo, o tamborileiro era até há poucos anos um velho pastor que, nos dias de festa em que actuava, envergava a sua jaleca curta dos domingos.



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