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Em termos paralelos aos que vimos entre nós, mas com relevo consideravelmente maior, encontramos a flauta de tamborileiro na Espanha e França, e, mais escassamente, na Inglaterra, Itália, Flandres, Alemanha e outros países ainda. Na Espanha, onde o tamborileiro tem ainda hoje uma presença muito forte, podemos encontrá-lo por quase todas as regiões. Ele aparece, igual ao nosso, (1) em terras leonesas vizinhas do Leste trasmontano, e (2) na área estremenha ao longo da fronteira de Ficalho; e também na (3) Meseta, onde a flauta, do tipo da dulzaina, e o tamboril, são tocados ora como cá, por um só tocador, ora, por vezes, por dois, geralmente um velho e um rapaz, que andam de «pueblo» em «pueblo» porque não raro existe uma única parelha de tocadores para toda a «comarca». (4) No país Basco, o txistu é o instrumento nacional, e, com o tamboril, tocados também por um só homem — ou por dois —, faz as alvoradas festivas, acompanha o aurresku e as danças de romaria depois do pôr do Sol, aparece em bodas e baptizados, etc.; aí, o txistulari (tamborileiro) figura na lista do pessoal dos Ayuntamientos respectivos. (5) Nas Astúrias, vemos o tamboril e a flauta representados na portada de Santa Maria de Oliva, e (6) na Catalunha, no Mosteiro de Santa Maria de Poblet, em ambos estes casos em mãos de pastores, ao lado do gaiteiro também pastor. (7) Nas Baleares, na ilha Maiorca, terra de transição, «lutam a gaita cristã» — e o tamboril e a flauta — com a guitarra moura; mas no plano religioso, para os louvores à Virgem, prevalece a tradição da gaita, tamboril e flauta, atestando o mesmo carácter que vimos entre nós. (8) Nas Canárias vê-se também este conjunto; o tamboril não mostra bordão na pele onde se bate, e a flauta — que se segura com o dedo mínimo por baixo — parece ser, como as nossas, de apenas dois buracos no lado superior. Em França existem vários tipos de tamborileiros no sentido que damos aqui à palavra, e que se devem também comparar com os nossos: (1) os tamborileiros da Provença e do Languedoc, onde o mesmo homem toca o tambourin — os belos tamboris, esguios e altos, com a abelha provençal esculpida em madeira a meio do fuste, que se tocam com um bater subtil (quase a raspar) da baqueta no bordão —, e o galoubet, que é uma flauta fina e aguda, mas de formato muito parecido com o pífaro dos nossos tamborileiros alentejanos, que acompanha as danças locais, nomeadamente a farandole. (2) o tamborileiro dos Pirinéus, que usa o flaviol e um pequeno tambor (comum ao que se toca na Catalunha Espanhola); e finalmente (3) o tamborileiro da Gasconha, outrora muito difundido nessa Província e nos Pirinéus, e hoje subsistente apenas em certas festas do País Basco, do Béarn e da região de Bigorre, que é um conjunto da mesma natureza dos anteriores, mas em que o tamboril é um instrumento especial, o tambourin de Gascogne, espécie de cítara quadrangular alongada, munido de seis cordas-bordões presas a cravelhas no cimo da caixa, que se transporta apoiado ao ombro e seguro pelo braço esquerdo, cuja mão toca a chirula ou pífaro local, enquanto a direita bate as cordas com uma baqueta. Na Itália usa-se, semelhantemente, no Norte, o alto-basso com a flauta, que figura às vezes em personagens da Comedia dell’ Arte. Os ingleses têm, do mesmo género, o conjunto do tabor and pipe. E conhecemos finalmente gravuras flamengas e alemãs do século XVI, em que ele aparece em termos idênticos.



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